A quebra de rendimento na corrida nem sempre tem a ver com falta de treino. A perda de água e eletrólitos através do suor desempenha um papel decisivo na fadiga, nas cãibras e na performance.
Perceber quanto se sua e o que se perde é o primeiro passo para definir estratégias de hidratação verdadeiramente eficazes e é aqui que entram os testes de suor.
Em modalidades de resistência, como é o caso da corrida, as razões que podem levar à quebra de rendimento durante o esforço são várias. Destacam-se o esgotamento energético, a fadiga mecânica e a perda de água sob forma de suor.
O suor tem uma influência elevada no rendimento, pois é o suor que transporta eletrólitos, levando à sua perda, como sejam o magnésio, potássio, cálcio e sódio, este último, em grandes quantidades.
Estes eletrólitos são os responsáveis pelo funcionamento dos músculos quanto à sua capacidade contrátil, sendo a sua perda prejudicial para o rendimento, podendo mesmo levar a dor ou lesão, destacando-se as cãibras, muito frequentes entre os efeitos negativos da perda elevada de sódio.
Quanto mais longo e intenso for o esforço, agravado por condições de calor e humidade, maior é a perda de suor e de rendimento. Mas transpirar não é um mecanismo negativo, antes pelo contrário.
Essa é a resposta que nos permite arrefecer o corpo para combater a subida de temperatura provocada, seja pela exposição ao calor, seja pelo aumento da temperatura corporal induzida pelo esforço.
Para tentar compensar as perdas de água e contrariar a descida de rendimento durante o esforço, as estratégias de hidratação são fundamentais, assim como é a adaptação a esforços longos e intensos e a condições de calor e humidade. Quanto mais treinado estiver um atleta e acostumado à exposição ao calor, menor será o efeito negativo da perda de água. Os nossos artigos “continue a correr mesmo nos dias quentes” e “reabastecimentos durante a corrida”, respetivamente nas revistas #23 e #24, tratam vários aspetos relacionados a estas temáticas. Mas para sabermos ao certo quanto hidratar e que quantidade de eletrólitos têm de ser repostos, é necessário avaliar as perdas de suor. É aí que entram os testes de suor!
Os testes de suor, já largamente utilizados há vários anos, tornaram-se de aplicação cada vez mais comum nos desportos de resistência, pois fornecem dados extremamente valiosos.
Sendo a corrida uma das modalidades que maior sudação provoca, mais ainda quando praticada sob condições quentes e húmidas, quem treinar na perspetiva da otimização da performance, tem necessariamente de implementar estratégias de hidratação de acordo com as suas caraterísticas individuais e adaptadas às condições competitivas.
Testar não é reservado a atletas de Elite, antes pelo contrário, pois os atletas amadores, estão de um
modo geral menos bem preparados para esforços longos e intensos, vendo a sua performance afetada de forma ainda mais vincada devido à sudação.
Como realizar um teste de suor?
Existem várias formas, destacando-se quatro na área do treino desportivo
1. Os testes para cálculo da taxa de sudorese durante o esforço, sejam em contexto de testes metabólicos por patamares ou a intensidades predefinidas: para estes testes, basta avaliar o peso corporal antes e depois do esforço, considerando também o líquido ingerido durante, se for o caso. A título de exemplo, se um atleta perder 400 g após 30 minutos de esforço e não tiver hidratado durante o teste, significa que terá uma taxa de sudorese de 0,8L/hora naquelas condições (intensidade/temperatura/humidade) - (1L = 1Kg);
2. Os testes durante o esforço recorrendo a adesivos que recolhem o suor, como é o caso do “GATORADE’S Gx SWEAT PATCH”: Estes adesivos estimam a taxa de suor e o sódio perdido durante o esforço através de um algoritmo;
3. Testes que não requerem que o atleta esteja em situação de exercício/esforço, como são os aplicados pela marca de nutrição “PRECISION”, concorrente da anterior. Estes recorrem a um método de electroestimulação na região do antebraço, estimulando as glândulas sudoríparas a produzir suor mesmo em situação de repouso. O suor recolhido é de seguida colocado num analisador que gera informações acerca da taxa de sudorese e da perda de sódio;
4. Mais recentemente, a marca ONASPORT desenvolveu um dispositivo que permite a recolha da taxa de sudorese e da perda de sódio durante esforço de forma contínua, através de um pequeno cartucho situado junto de uma banda de frequência cardíaca e que fica em contacto direto com o peito. Tal como os adesivos da marca Gatorade, esse cartucho recolhe o suor e fornece dados calculados através de um algoritmo. A grande mais-valia deste dispositivo é a disponibilização de valores em tempo real durante treinos e competições.
»» A combinação entre métodos diretos de cálculo da taxa de sudorese em esforço com avaliação do peso pré e pós-teste, e de testes que calculem a perda de sódio são, sem dúvida , a forma mais completa de avaliar.
Para que servem os dados recolhidos?
Dependendo dos resultados, as estratégias e recomendações aos atletas podem ser muito distintas. Podem ser diagnosticadas quatro caraterísticas:
• Taxa de sudorese elevada, com concentração baixa de sódio;
• Taxa de sudorese baixa, com concentração alta de sódio;
• Taxa de sudorese e sódio elevada;
• Taxa de sudorese e sódio baixa;
Estes dados são preciosos para a implementação de estratégias individualizadas de hidratação e reposição de sais minerais. Um determinado atleta pode necessitar de mais água com menor concentração de eletrólitos, ao contrário de outro que pode necessitar de menos água com maior concentração de eletrólitos, existindo atualmente várias soluções no mercado já preparadas de acordo com diferentes necessidades.
Recomendações para tirar o melhor partido dos testes de suor:
1. Se tiver essa possibilidade, teste a diferentes intensidades e em diferentes condições (temperatura e humidade), pois as necessidades são muito distintas, e diferentes condições obrigam a diferentes estratégias de hidratação e reposição de eletrólitos;
2. Caso esteja a preparar um evento específico, realize o teste de suor em condições similares às que pensa encontrar no que respeita à temperatura e humidade, tal como à intensidade competitiva;
3. Uma vez encontrada a solução mais adequada, teste várias vezes o seu plano de hidratação, não só para verifi car se nota melhorias no rendimento, mas também para se adaptar às quantidades e concentrações recomendadas.
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Artigo inicialmente publicado in PR #33 Comprar revista AQUI |


