A Pro Runners esteve à conversa com o embaixador da PUMA, Samuel Barata, sobre a atual fase da sua carreira e o que podemos esperar da temporada.
Foi no mesmo cenário onde costuma treinar, no Centro de Alto Rendimento do Jamor (CAR Jamor), que Samuel Barata recebeu a equipa da Pro Runners Magazine para uma conversa descontraída, mas muito esclarecedora. Presença assídua nas notícias nacionais e internacionais, com feitos que comprovam o seu talento e dedicação, o fundista português atravessa uma das melhores fases da sua carreira, mesmo após uma lesão no tendão de aquiles, no final do ano passado, que o impossibilitou de estar presente nos Mundiais de Tóquio. O trabalho que tem feito, a rotina de treinos, as competições onde se tem destacado e o que espera do futuro, são alguns dos temas que vai poder ler nesta entrevista.

PRO RUNNERS: Deu uma entrevista à Pro Runners Magazine em 2022, já lá vão quatro anos, e certamente muita coisa mudou. Mas há uma coisa que se mantém igual e é visível, que é a sua paixão pela corrida... Em que fase está da sua carreira neste momento e como se sente?
SAMUEL BARATA: Posso dizer que estou provavelmente na minha melhor fase. Estou a bater recordes pessoais e a correr a um nível muito bom, ao nível dos melhores da Europa, sobretudo nas distâncias mais longas, na maratona e na meia-maratona. Consegui também estar presente nos Jogos Olímpicos na última edição (em Paris), embora não tivesse tido o resultado que pretendia, porque tive algumas lesões que limitaram a minha preparação. Ou seja, nestes quatro anos tenho feito uma caminhada com altos e baixos, mas em conjunto com meu treinador, com o meu grupo de treino, com os meus patrocinadores, o meu clube (Sport Lisboa e Benfica), toda a estrutura técnica, a Federação Portuguesa de Atletismo, o Comité Olímpico, temos trabalhado e temos feito resultados muito bons nos últimos tempos, sobretudo neste último ano. E espero continuar. É uma caminhada até aos Jogos Olímpicos de LA, em 2028. Espero confirmar a minha presença e obter um resultado digno de uma carreira e de uma aposta pessoal, porque também já tenho 32 anos e estou consciente de que o desporto de alta competição é inevitavelmente temporário. Mas até ao último dia vou tentar dar sempre o meu melhor.
Em 2022 estava a lutar por uma vaga nos Jogos Olímpicos de Paris. Conseguiu-o, estreou-se como atleta olímpico e ficou em 48.º lugar na maratona (com 2:13.23), com uma das melhores marcas de sempre de um português em Jogos Olímpicos. Como foi estar num dos maiores palcos do mundo do desporto pela primeira vez e o que é que retirou dessa participação?
Foi uma sensação incrível. De todas as competições internacionais em que já fui representar Portugal, é a cereja no topo do bolo, é mesmo a melhor de todas. Competi na maratona, que é a distância-rainha dos Jogos. É algo muito especial, mas também foi muito intenso, porque o foco na preparação é muito grande e, quando finalmente acontece, tudo passa muito rápido.
Fica um sabor agridoce. Foi muito bom estar em Paris, mas, ao mesmo tempo, sinto que não aproveitei tanto quanto gostaria. Soube a pouco. Ainda assim, foi, sem dúvida, uma das experiências mais incríveis da minha vida. Naquele momento o mundo inteiro está a ver os Jogos Olímpicos, mesmo as pessoas que não costumam assistir. Foi a corrida com mais pessoas que já vi, havia público por todo o lado, um barulho enorme, muita gente a aplaudir, nacionalidades de todo o mundo. Foi muito arrepiante. Representar o nosso país na maior competição do mundo é sempre um orgulho.
Já está com miras apontadas para Los Angeles 2028? Quais são as suas expectativas?
Antes de mais, o objetivo é garantir a minha presença. Neste momento, ainda não são conhecidas as marcas de qualificação, mas deverão ser divulgadas em breve, e a minha prioridade passa por alcançar essa marca o mais rapidamente possível.
Depois de garantir a minha vaga, a expectativa é primeiro de tudo fazer um melhor resultado do que fiz em Paris, esse é o meu grande objetivo. Claro que há sempre um sonho, que é a medalha olímpica, ou um top 8, mas temos também de ser realistas.
Estamos a lutar com os melhores europeus e os melhores do mundo, mas vamos step by step, primeiro estar presente e depois lutar por um melhor resultado. Acredito que se chegar lá na minha melhor forma de sempre, uma grande classificação pode acontecer. Até lá, vamos trabalhar para isso.
O ano passado, uma lesão impossibilitou-o de participar nos Mundiais de Atletismo de Tóquio. Como foi ficar de fora de uma competição tão importante e como ultrapassou esta fase menos boa?
O ano passado foi um pouco complicado. Faz agora exatamente um ano, a meio de abril, que fiz a maratona de Roterdão. A prova correu-me mais ou menos, estava muito mau tempo, muito vento, mas fiz 2h09m45s, fiquei no top 10, o que acabou por ser um bom resultado. Após a maratona tive uma lesão no tendão de aquiles a voltar aos treinos. Ainda estávamos em meados de abril, os mundiais eram em setembro, ou seja, ainda havia alguma margem para recuperar, mas não foi possível.
Apesar de em setembro a lesão já estar curada (comecei a treinar em agosto), uma maratona não se prepara num mês para quem esteve mesmo parado, por isso achámos que a melhor opção era não participar nos mundiais. Não vou mentir que foi complicado, pois era um objetivo que tinha, muito também porque não estive presente nos JO de Tóquio, na altura da pandemia, e estes Mundiais foram exatamente no mesmo sítio e era uma oportunidade de viver mais ou menos o que não vivi, mas também acabou por não acontecer. Mas, felizmente, com toda a ajuda médica que tenho, da parte da Federação e também do Sport Lisboa e Benfica, conseguimos resolver este problema, em agosto comecei a treinar bem e no final do ano consegui fazer a maratona de Valência.
Como divide atualmente a rotina de treinos?
Atualmente sou atleta profissional a cem por cento, logo tenho o dia basicamente preenchido com treinos. Quando treino em Lisboa, levanto-me por volta das 7h30 da manhã, treino às 9h30 aqui no Jamor. Normalmente de manhã tenho o treino principal do dia, o treino mais forte, que pode ser uma corrida contínua ou uma corrida intervalada, o chamado treino de séries. Normalmente por volta das 11h30/12h00, vou para casa, almoço, faço a minha sesta e à tarde faço outro treino, que por norma é mais de regeneração, que às segundas e sextas inclui sempre um treino de ginásio à tarde. Esta é a minha rotina. Parece que muito básica, só que, por exemplo, para treinar para a maratona, quando estou numa fase de preparação muito intensa, acabo por treinar mais de 30 km por dia, mais o ginásio... acaba por ser muito desgastante. 
Acaba por não ter tempo de fazer outras coisas para além do atletismo ou ainda é possível?
Ao fim de semana, sobretudo ao domingo, faço só um treino, que é o chamado «long run», que acaba por ocupar só a parte da manhã e à tarde tenho mais tempo livre para estar com a namorada, para estar com a família. Sou da Covilhã, de uma pequena aldeia que se chama Bouça, então às vezes acabo por ir lá aos fins de semana à terra, para estar com os meus pais, estar com a minha família. Mas a minha rotina passa muito por isto. É claro que acabo por fazer outras coisas de vez em quando, tratar de outros assuntos, ir ao cinema, estar com amigos, mas os dias são maioritariamente ocupados com a corrida.
E a sua família percebe essa sua ausência e dedicação tão grande ao atletismo?
Sim. Os resultados que tenho feito ao longo destes anos acabam por ser o reflexo da minha dedicação e eles começaram a perceber que esses resultados são de tal maneira exigentes que quanto mais objetivos tenho, maior tem de ser a preparação e os treinos e acabam por perceber a minha ausência.
Mas nem sempre isto acontece, às vezes os resultados não aparecem e acaba por ser frustrante tanto para eles, como para mim, que perco muitos momentos de família em que gostava de estar presente.
Muitas vezes também vai para estágios no estrangeiro, por exemplo, no Quénia, onde treina em altitude e com os melhores do mundo.
Sente que isso o tem ajudado nas suas performances. De que maneira?
Sem dúvida. Acho que neste momento em todos os desportos de endurance, se queremos estar ao nível internacional mais elevado, temos que ir estagiar para altitude. Há benefícios biológicos, claro, que é aumentar a endurance por causa da falta de oxigénio, mas também há os benefícios de treinarmos com alguns dos melhores atletas do mundo. Depois há também a questão mental… por vezes, acabamos por nos inferiorizar ao ver outros atletas a treinar e a obter melhores resultados, o que nos leva a assumir
que são superiores. No entanto, quando observamos mais de perto, percebemos que, em muitos casos, treinamos ao mesmo nível ou até melhor. O facto de treinar com esses atletas acaba por ajudar a desbloquear em competição. No fundo, fatores como o descanso, a qualidade do treino e o trabalho em altitude contribuem significativamente para potenciar a minha performance.
Em 2022, na entrevista que nos deu, afirmou que não queria ter outro treinador pois era uma maneira de homenagear o Prof. Pedro Rocha. Atualmente continua sem treinador ou já tem alguém que o acompanhe?
O luto nunca acaba. Só que como em 2023 fiz uma aposta muito séria na maratona para fazer a marca para os JO e a minha experiência era muito pouca ou nula, resolvi pedir ajuda a um treinador com muita experiência nessa distância. Encontrei então o professor António Sousa aqui em Lisboa, que acredito que em Portugal é o melhor treinador para a maratona que há. Tem uma experiência de treino, de prova, de como gerir as emoções antes e após as provas, pois também foi maratonista. Acho que foi uma mais-valia começar a trabalhar com ele. Há uma sinergia entre o conhecimento dele e o meu
que tem resultado muito bem.
Começou no meio-fundo, mas agora é no fundo que se tem destacado mais... Porquê esta mudança e qual a distância que realmente prefere?
Na verdade, isto tem a ver um pouco com a nossa aptidão. Um atleta começa sempre nas distâncias mais baixas e intermédias, (800 m, 1500 m) e se tivermos o talento para essas distâncias, acabamos por ficar nesse registo.
O Isaac Nader, por exemplo, ficou nos 1500 e nos 800 porque tem muito talento para aquilo. Eu acabei por me sair melhor nas longas distâncias. Com vinte e poucos anos, fiz logo uma marca muito interessante à meia-maratona e vi que tinha muita aptidão para as distâncias mais longas e de facto faço agora a maratona porque vi que tinha qualidades para isso e comecei a investir mais tempo e trabalho nessa distância. Isso não invalida que, de vez em quando, não faça provas de 10 km ou de 5000 m, também é importante polarizar um bocado a corrida, não só estar focado na maratona.
Recentemente, fez uma prova de 10 km em Lille, França. Como correu?
Correu bem. Bati recorde pessoal, fiz a segunda melhor marca nacional de sempre (27m54s). O recorde nacional é 27m37s do José Carlos Pinto, por isso acho estou competitivo aqui a nível nacional. A nível
europeu sinto que estou mais competitivo na meia-maratona e maratona.
Na Maratona de Valência, em dezembro do ano passado, alcançou a segunda melhor marca da carreira (2:08.40) - apenas atrás do seu próprio recorde pessoal (2:07.35).
Quais foram as sensações?
Por acaso, foi a maratona mais equilibrada que fiz e consegui fazer negative split, mas isso teve várias razões. A preparação não correu como queria, tive alguns altos e baixos. Depois da lesão, corri uma prova de 10 km em Brașov, na Roménia, que correu bem, mas senti alguma fadiga — o meu corpo não estava a responder como habitual — e tive de reduzir o treino para recuperar.
Por isso, a preparação para a maratona acabou por ser mais curta. Ainda assim, treinei bem, mas sentia que não estava na minha melhor forma. Em conjunto com o meu treinador, decidimos não arriscar e adotar uma abordagem mais cautelosa, mantendo um ritmo controlado ao longo da prova.
A corrida acabou por correr muito bem. Fiz uma primeira metade mais controlada, com passagem à meia-maratona perto da 1h05, e depois consegui acelerar e fazer negative split, terminando mais forte. No final, fiz 2h08m40s, um resultado bastante positivo.
Depois do período de lesão, que me fez falhar os Mundiais, voltar a competir e sentir-me bem foi muito importante e acabou por impulsionar esta fase mais positiva que estou a viver agora.
Em março deste ano, voltou a sagrar-se campeão nacional na EDP Meia Maratona de Lisboa, com 1:00.36, o segundo melhor tempo de um português na distância (mas o recorde nacional também é seu - 59:40 em Valência 2023). Como se sentiu nessa prova? Qual a sensação de cortar a meta e perceber que é bicampeão nacional nos 21 km?
Estava em forma para bater o recorde nacional, ou pelo menos chegar perto, e terminar abaixo de uma hora e arrisquei ir a meia-maratona de Lisboa, porquê? Porque é uma prova muito boa, mas ao mesmo
tempo enganadora. É uma competição rápida, mas também um pouco ventosa e se temos o azar de não encontrar um grupo bom, corremos o risco de ter uma prova mais lenta e nesta acabou por ser um pouco assim. Havia um grupo, onde toda a gente ambicionava correr na casa de 59 ou 60 rasos, mas infelizmente estava bastante vento na parte final. Mas acabamos por correr à volta dos 60,30. E foi bastante bom porque fui muito competitivo, tive a lutar pelo top 10 até aos últimos quilómetros e acabei por ser segundo europeu, melhor português e fiz a minha segunda melhor marca.
Quais são as principais diferenças entre competir em Portugal e internacionalmente?
Nos últimos 2/3 anos, o nível em Portugal cresceu bastante, mas acaba por ser muito diferente. Em Portugal é uma competição interna, o nível é muito mais inferior, apesar de já termos muitos atletas a
correr na casa dos 28 minutos/28 minutos rasos, ou seja, já não há aquela diferença do primeiro classificado para o resto, mas “lá fora” o nível é muito superior. Aqui em Portugal o problema é que temos poucas provas competitivas para correr rápido e fazer marca, então procuramos as provas internacionais.
Recentemente, a World Athletics comunicou que a maratona vai sair dos Mundiais e passar a ter um campeonato autónomo a partir de 2030. Qual a sua opinião sobre esta mudança?
Isso é uma discussão que já tem vindo à tona nos últimos dez anos. Uma das razões principais tem a ver com o calor. Porque os grandes campeonatos são sempre feitos em agosto/setembro e em locais em que o calor é muito e acaba por afetar a performance dos atletas da maratona.
Por um lado, acho que é importante salvaguardar a performance e saúde dos atletas e promover os resultados. Mas por outro, considero que tira um pouco a essência da competição. Isto seria semelhante, à maratona ser retirada dos Jogos Olímpicos. A maratona é prova-rainha do atletismo e retirá-la do campeonato do mundo das disciplinas técnicas e das pistas acaba por perder essa essência. No entanto, é benéfico ter a competição numa altura do ano mais fresca.
Em 2022, faltava-lhe apenas a tese para concluir o mestrado na área da química. Chegou a terminar? Como vê o futuro no pós-carreira?
Não terminei o mestrado e, na verdade, este tema do futuro é bastante delicado, pois cada vez mais estou a aproximar-me do fim da minha carreira. Todos sabemos que o desporto de alto rendimento tem uma validade e isto é consoante a sorte e conforme o corpo vai respondendo. Porque posso ter uma lesão hoje, amanhã já não conseguir recuperar e aí acabou, é tão simples quanto isto. E quanto mais velho sou, vai custando cada vez mais recuperar dos treinos, recuperar das lesões e é preciso ter muita sorte. A minha carreira até pode durar mais 10 anos, até 15, como pode só durar um ano. Ou seja, é um bocado incógnito.
Neste momento, a área da química está um bocado de parte, porque perdi o comboio da área... Os anos passam e tinha que voltar a estudar, tinha que acabar o mestrado e depois, se calhar, trabalhar na área. Tinha que retroceder muito. Acho que neste momento o caminho não é esse. O meu futuro vai ser na área do desporto, provavelmente como treinador, pois estou enraizado na área da corrida. Tenho feito muito networking a nível nacional e internacional, tenho aprendido muita coisa, por isso acho que vai acontecer. Para já, a minha ideia é continuar no mundo do desporto, até porque considero importante utilizar a minha experiência, toda a bagagem que aprendi nestes anos e transmitir também
aos mais jovens... No fundo, já faço esse papel, já treino com atletas mais novos, aos quais acabo por transmitir os meus conhecimentos nas nossas conversas.
Considera que o atletismo em Portugal tem futuro?
Sim, acho que temos bons atletas. Esta geração depois da minha tem apresentado bastante qualidade. Tanto nas disciplinas técnicas, como também nas disciplinas do fundo e do meio-fundo. Agora vamos ver como corre. Vai depender muito dos atletas, da aposta deles, das marcas, dos clubes... e se há resultados. Ninguém prevê o futuro, mas já temos indícios muito bons.
Por exemplo, nos campeonatos do mundo de pista coberta, tivemos três medalhas, dois campeões do mundo de salto em cumprimento, o Isaac Nader que foi vice campeão do mundo... Temos a Salomé Afonso, Patrícia Silva, Nuno Pereira, Miguel Moreira... há muitos atletas a aparecer e que já confirmaram o seu nível.
É considerado um dos melhores fundistas portugueses da sua geração... Imaginava que o seu futuro passaria por ser atleta profissional?
Há 15 anos, sonhava com isso. Mas nunca pensamos que pode realmente acontecer. Quando morava na minha terra e comecei a praticar atletismo com 12 anos, sonhava de ser atleta do Benfica ou do Sporting. Consegui. Depois de chegar a este nível, queria ser um dos melhores atletas de sempre em Portugal e consegui. A ambição sempre esteve presente em mim. E o meu caminho acho que se deve às decisões que fui tomando, mas também à sorte. Ao longo da minha carreira foram surgindo as
oportunidades e as pessoas certas que, sem dúvida, fizeram a diferença.
Quais as ambições que tem ainda para a sua carreira?
Quero bater o recorde nacional da maratona. Este é mesmo um objetivo de carreira. Depois quero ser cada vez mais competitivo a nível internacional e chegar a uma medalha internacional, que é o meu grande objetivo. Num campeonato da Europa, num campeonato do Mundo talvez... nos Jogos Olímpicos é muito difícil, mas fazer um top 8 acho que é possível. Esta é a minha ambição para sobretudo quando acabar a carreira pensar que fiz tudo o que estava ao meu alcance para obter os melhores resultados possíveis e não acabar com o sentimento de frustração.
Como está o calendário de competições atualmente? Qual a próxima competição onde o vamos poder ver?
Agora vou voltar um pouco às corridas de 10 km e aos 5000 m. Vou fazer um verão diferente, mais direcionado para a pista e para a estrada. O Campeonato da Europa vai ser em Birmingham e espero representar Portugal nos 10.000 metros. Em princípio vou participar, pelo Benfica, nos 5.000 m da Final de Clubes, e fazer mais uma ou outra prova de 10.000 ou 5.000 m, mas com menos objetividade. Depois, em setembro, há um Campeonato do Mundo de Estrada, onde quero ir à meia-maratona. No fundo, estas provas servem para me preparar, impor mais ritmo e voltar a correr mais rápido (pois já não estava habituado), para no final do ano correr a Maratona de Valência. Este é o grande objetivo do ano. Se tudo correr bem e não houver lesões, quero bater o recorde pessoal, que é sempre um objetivo, e ambicionar o recorde nacional. Estou com 2h07m35s, o recorde nacional é 2h06m36s. Penso
que no final do ano já saberemos quais serão as marcas para LA 2028 e que em Valência a janela já vai estar aberta para a qualificação, e esse também será um objetivo, obviamente. O plano já está
montado, agora é trabalhar.

Nota: A Pro Runners Magazine agradece a disponibilidade
e autorização do CAR Jamor para a realização desta entrevista e sessão fotográfica
