Jennifer Maia, de 35 anos, terminou a EDP Maratona de Lisboa em 02:52:01 e contou tudo à Pro Runners Magazine.
Fiz um ciclo de preparação muito bom para esta maratona. Sabia que Lisboa seria uma prova dura, com o seu sobe e desce constante, sobretudo na primeira metade do percurso. Tinha de gerir bem o esforço para guardar forças para a segunda parte. Além disso, a humidade estava alta, o que tornava tudo ainda mais exigente.
Mesmo assim, alinhei à partida bastante confiante. Tinha feito um excelente trabalho e confio plenamente no meu treinador. Fui para a prova com um único pensamento: lutar até ao fim.
Esta maratona foi, acima de tudo, um teste — uma espécie de aquecimento para a maratona de Sevilha (em fevereiro de 2026). Queríamos perceber o que funcionou e o que ainda precisa de ser ajustado neste próximo ciclo.
Durante a prova, houve quilómetros em que me sentia muito bem, com boas sensações, e outros em que tive de ser forte e aguentar o cansaço, as pernas pesadas e até as náuseas que começaram a partir do km 32. Mas nada me demovia. O apoio do público nas ruas foi simplesmente brutal — senti que cada aplauso me empurrava para a frente.
Quando cortei a meta com 2h52 e percebi que era a primeira portuguesa a chegar, confesso que senti um orgulho enorme. Queria muito isso. Foi um momento de grande emoção e também de confirmação: estou no caminho certo. Mas sei que quero mais. Ainda tenho muito para dar, e acredito que sou capaz.
A minha rotina não é fácil. Trabalho como operadora fabril, por turnos, numa fábrica, e conciliar os treinos com o trabalho exige muita disciplina, resiliência e espírito de sacrifício. Mas quando se tem paixão verdadeira, tudo se torna possível.
Não cheguei aqui sozinha. Sou o que sou hoje graças ao meu treinador José Sousa, que me acompanha desde 2019 e sempre acreditou em mim — às vezes mais do que eu própria. Tenho também o apoio incondicional da minha esposa, o meu grande pilar. É ela quem me dá equilíbrio nos dias mais difíceis, quem me motiva quando o cansaço aperta, e quem se dedica de coração para que eu possa continuar a perseguir os meus sonhos. Prepara todas as minhas refeições sou uma pessoa bastante exigente nesse campo e faz de tudo para que nada falte no meu caminho como atleta. Sem ela, nada disto seria possível.
Agradeço igualmente ao meu clube Atlético Macedo de Cavaleiros, à empresa na qual trabalho Microplásticos e à clinica Life Runs que me apoiam e acredita em mim. Cada um deles faz parte deste percurso e contribui para que eu possa continuar a evoluir.
Ser a primeira portuguesa na maratona de Lisboa foi um marco especial. Mas acima de tudo, foi mais uma etapa num caminho que quero continuar a trilhar com humildade, dedicação e amor por este desporto que tanto me ensina: o atletismo.
Texto: Jennifer Maia
